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Home Exportação

Exportações do Brasil para os EUA caem 12,2% até julho; especialista defende mercados alternativos

by Redação
16/08/2026
in Exportação
Brasil: contexto visual da reportagem

Imagem editorial para a reportagem: Exportações do Brasil para os EUA caem 12,2% até julho; especialista defende mercados alternativos

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As exportações do Brasil para os Estados Unidos recuaram 12,2% entre janeiro e julho de 2026, para US$ 20,95 bilhões, segundo dados do Monitor do Comércio Brasil-Estados Unidos, da Amcham, elaborado com base no Comexstat. A redução foi de US$ 2,8 bilhões na comparação com o mesmo período de 2025.

Nesta reportagem

  • Produtos com sobretaxa registram queda maior
  • Petróleo, semimanufaturados de ferro ou aço, caminhões e madeira registram recuos
  • Déficit comercial cresce mesmo com queda das importações

O desempenho afeta uma relação comercial relevante para o país: os Estados Unidos permaneceram como o segundo principal destino das exportações brasileiras no período, atrás da China. A queda ocorreu em meio à aplicação de tarifas sobre parte dos produtos brasileiros vendidos ao mercado americano e foi mais intensa entre os bens submetidos a sobretaxas.

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Os embarques de produtos tarifados caíram 14,4% no acumulado até julho, enquanto as exportações de itens sem sobretaxa recuaram 9,7%. A diferença entre os dois grupos não é suficiente, por si só, para estabelecer uma relação causal entre as tarifas e a redução das vendas. Ainda assim, especialistas ouvidos pela reportagem apontaram pressão sobre a competitividade dos fornecedores brasileiros.

Produtos com sobretaxa registram queda maior

Os produtos sujeitos a sobretaxas responderam por US$ 9,84 bilhões das exportações brasileiras aos Estados Unidos nos sete primeiros meses do ano. Os itens sem sobretaxa alcançaram US$ 11,10 bilhões. Os dois grupos tiveram retração na comparação anual, mas a redução foi mais forte entre as mercadorias tarifadas.

Na faixa de bens submetidos a sobretaxas de 12,5%, as exportações caíram 3,8%, para US$ 927,8 milhões. Entre os produtos com tarifas de 25% a 37,5%, a baixa foi de 31,5%, para US$ 3,15 bilhões.

Os produtos enquadrados na chamada Seção 232 somaram US$ 5,76 bilhões, com queda de 2,8%. Dentro desse conjunto, aço e alumínio tiveram resultado distinto: as exportações desses materiais cresceram 3,2%, para US$ 4,60 bilhões. O comportamento mostra que a variação não foi homogênea entre os segmentos atingidos pelas medidas tarifárias.

O economista Renan Pieri, da Fundação Getulio Vargas, avaliou, que a retração mais acentuada dos produtos sobretaxados sugere efeito das tarifas sobre as exportações brasileiras. Ele defendeu uma combinação de negociação comercial, diversificação de mercados e apoio transitório às empresas afetadas.

A análise é uma avaliação técnica atribuída ao economista. Os dados apresentados pelo monitor não trazem uma medição econométrica do efeito das tarifas sobre cada setor ou produto da pauta brasileira.

Petróleo, semimanufaturados de ferro ou aço, caminhões e madeira registram recuos

Os óleos brutos de petróleo continuaram como o principal produto exportado pelo Brasil aos Estados Unidos, com US$ 2,23 bilhões entre janeiro e julho. O valor, porém, ficou 25,5% abaixo do registrado no mesmo intervalo de 2025.

Os semimanufaturados de ferro ou aço ficaram na segunda posição, com US$ 1,96 bilhão e queda de 11,1%. A pauta também registrou reduções em outros segmentos. As exportações de caminhões e de madeira caíram 41,3% cada, segundo os dados reportados. As vendas de cobre diminuíram 35,9%.

Másimo Della Justina, especialista em comércio exterior, afirmou que tarifas podem reduzir a competitividade dos produtos brasileiros e levar consumidores nos Estados Unidos a buscar fornecedores alternativos. A avaliação foi apresentada no contexto da queda mais forte das exportações sujeitas a sobretaxas.

Déficit comercial cresce mesmo com queda das importações

O recuo também apareceu no fluxo de produtos americanos para o Brasil. As importações brasileiras originadas nos Estados Unidos somaram US$ 23,22 bilhões de janeiro a julho de 2026, baixa de 10,4% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Como a queda das exportações brasileiras foi maior do que a redução das importações, a balança comercial bilateral ficou negativa para o Brasil em aproximadamente US$ 2,3 bilhões. Segundo os dados divulgados, o déficit aumentou 122,3% na comparação anual.

A diferença entre os valores arredondados de importações e exportações é de cerca de US$ 2,27 bilhões, compatível com a indicação de déficit aproximado de US$ 2,3 bilhões. Os Estados Unidos foram também a segunda maior origem das importações brasileiras no período.

A China liderou os dois fluxos comerciais: recebeu US$ 69,02 bilhões em exportações do Brasil e respondeu por US$ 44,96 bilhões das importações brasileiras nos sete primeiros meses de 2026. Os dados confirmam a posição chinesa à frente dos Estados Unidos como parceiro comercial do Brasil nos dois rankings considerados pelo levantamento.

O dado objetivo até julho é que os Estados Unidos mantêm posição central na pauta comercial brasileira, apesar da queda de 12,2% nas exportações e do aumento do déficit bilateral.

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